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10/05/2020 14:32

Estado tem 1.588 casos e 33 pessoas mortas pelo novo coronavírus.

Por Jéssica França

 

A Covid-19 está apresentando uma média diária de 15% de crescimento no estado, desde 1º de maio, segundo levantamentos feitos pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). O número é quase três vezes maior que a média nacional, 6,6%.

O primeiro caso do novo coronavírus foi confirmado no dia 14 de março, em Aracaju. Já no dia 2 de abril, foram registradas as duas primeiras mortes, ambas também na capital. Atualmente, os casos são quase 1.600 e os óbitos, 33.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população sergipana estimada em 2019 era de mais de 2,2 milhões. Até o momento, cerca de 5.500 pessoas foram testadas. Para o professor do Departamento de Educação em Saúde e chefe do Laboratório de Patologia Investigativa da UFS, Paulo Ricardo Martins Filho, a testagem não é suficiente para dar a real dimensão da pandemia no estado, como recomendado pela Organização Mundial de Saúde. Apesar disso, Sergipe apresenta em termos proporcionais uma taxa de testagem superior à média nacional.

Segundo o professor, a perspectiva é que o número de casos dobre nas próximas semanas. "O cenário atual não é animador. Nós esperamos que entre 3.000 e 4.000 casos de Covid-19 sejam reportados em Sergipe até a metade deste mês. Com a adoção de medidas mais rígidas de controle da disseminação do vírus, a tendência é que a curva comece a descender a partir deste período. De qualquer forma, será preciso fazer a ampliação de leitos, especialmente dos leitos de UTI, ao longo do mês de maio como temos indicado em nossos trabalhos", disse. Um estudo da UFS mostrou que 10% dos leitos exclusivos para pessoas com a doença devem estar ocupados até o dia 13 de maio. A Secretaria de Saúde informou que nessa segunda-feira, Estância, que é a terceira cidade com mais casos no estado, vai receber 12 leitos de UTI.

Martins Filho fez uma análise do comportamento da população sergipana durante o isolamento:

 

"O que temos visto na prática em Sergipe é o que se conhece como distanciamento social ampliado, em que medidas são adotadas para se evitar aglomerações de pessoas e serviços essenciais são mantidos. O problema é que esta estratégia pode não ser suficiente para frear a transmissão do vírus porque depende muito da conscientização e adesão das pessoas. É razoável pensar que pessoas infectadas, assintomáticas, estejam circulando sem os maiores cuidados e isso é preocupante"

Ele também fez um alerta quanto à superlotação das unidades de saúde em função do baixo isolamento. "Imaginemos se cerca de 15% da população ficasse doente em um curto espaço de tempo pelo mesmo problema de saúde, necessitasse da mesma assistência e ainda por um determinado período. Nenhum sistema de saúde está preparado para uma situação como esta e ele fatalmente entrará em colapso. É por isso que as medidas de controle de transmissão da doença e a conscientização das pessoas é importante. Aqui em Sergipe, serão necessárias medidas mais restritivas", reforçou.

 



 
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