
O ex-deputado federal e ex-prefeito de Pirambu, Leste de Sergipe, André Moura (PSC-SE) é apontado como um dos integrantes principais em um esquema de corrupção que envolve o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC-RJ). O esquema, utilizado para extorquir empresas prestadoras de serviço no estado, teria como principal negociador e recebedor de propina o ex-parlamentar e o secretário estadual da Casa Civil do Rio, Moura. As informações foram publicadas pela revista Veja, nesta sexta-feira (22).
As acusações vieram à tona após a Procuradoria-Geral da República (PGR) receber uma proposta de acordo de delação premiada, em março deste ano, que comprovariam o escândalo. Um deles teria vindo do empresário carioca Arthur Soares, conhecido como “Rei Arthur”. Segundo ele, em menos de um ano, o esquema teria arrecadado cerca de R$ 30 milhões com a cobrança de 20% a 30% a empresários que ganharam a preferência na fila de pagamentos feitos pela gestão de Witzel.
Ainda de acordo com Arthur, sua empresa tinha um montante de R$ 100 milhões a receber do governo, mas que teria sido avisado que dívida seria paga integralmente caso o empresário concordasse em pagar 20% do valor em propina. Como não concordou, o contrato com o governo foi suspenso. Em um encontro com o empresário, Moura teria reafirmado a proposta de acordo e, segundo Arthur, após aceitar o pagamento da propina, teria recebido R$ 8,6 milhões para a empresa Cor e Sabor, que fornecia refeições para o sistema penitenciário.
Em troca, o empresário teria repassado ao ex-deputado o valor R$ 1,7 milhões, parcelados em seis vezes. À reportagem, Moura afirmou que nunca se encontrou com interlocutores de Arthur Soares e nega ter alguma participação no esquema de propinas. “Nunca vi esse cara na minha frente nem ninguém ligado a ele. Só ouvi falar das falcatruas dele através de empresas”.
O presidente do PSC, pastor Everaldo, outro envolvido no esquema, defende a investigação de suspeitas de irregularidades e a punição dos envolvidos com base em provas. Em nota, ele reitera que “não responde pelo governo do Rio” e afirma “não ter relação com o empresário”
Atualmente, André Moura responde a três ações penais no Supremo Tribunal Federal (STF), por desvio de verba e formação de quadrilha durante sua gestão em Pirambu, entre 1997 e 2004.
Fonte: Jornal Valor Econômico