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POLÍCIA REVELA QUE FRAUDE DAS DIÁRIAS EM CAPELA GEROU PREJUÍZO DE R$ 160 MIL
09/06/2020 às 17:39 por Sandra Dantas

Em entrevista coletiva, na manhã desta terça-feira, 9, os delegados Rodrigo Espinheira e Thais Lemos detalharam a “Operação Mamulengo”, deflagrada hoje para desarticular uma organização criminosa que desviava recursos públicos da Câmara de Vereadores do município de Capela. De acordo com as investigações, a organização era chefiada pelo vereador do município, José Adaltro, no período em que ele esteve como presidente da Casa Legislativa (2017/2018). Adaltro é irmão do ex-prefeito de Capela, Manoel Messias Sukita, quem segundo a polícia, não está envolvido na fraude, pelo que foi apurado inicialmente.

De acordo com a polícia, o vereador Adaltro estava manipulando testemunhas para que mudassem seus depoimentos.

Foram presos, o vereador Adaltro e um empresário identificado como Valdervan. A polícia ainda cumpriu mandados de busca e apreensão na casa dos investigados, na Câmara de Vereadores, e em endereços ligados à empresa investigada. Os presos foram ouvidos na sede do Departamento de Crimes Contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap), onde as investigações aconteceram. Foram apreendidos vários documentos que devem servir de provas no inquérito que será encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPE).

Segundo o delegado Rodrigo Espinheira, Adaltro, enquanto presidente da Câmara articulava um esquema para que servidores comissionados recebessem dinheiro para custeio de viagens para congressos e reuniões, que nem sempre aconteciam. “O dinheiro então era repassado por esses servidores ao próprio presidente, que utilizava esses recursos em benefício próprio ou para custeio de outras questões ligadas à câmara, como reforma, sem a realização de licitação. Os certificados de participação em congressos eram fraudados para justificar a ida ao evento”, explicou.

A delegada Thais Lemos, que também participou das investigações, acrescentou que  o vereador Adaltro ainda fazia com que servidores comissionados contraíssem empréstimos em bancos, para que fossem usados em benefício próprio . “Em troca disso, ele concedia gratificações a esses servidores para que os empréstimos fossem pagos com recursos públicos.

“Ele ainda tinha uma babá em sua casa, que apesar de ser sua funcionária particular estava constando como servidora da Câmara. O nome dela ainda aparece como sendo participante de vários congressos e reuniões que não aconteceram. Ela sequer bateu ponto algum dia na Câmara”, informou a delegada.

Os presos serão encaminhados a um presídio, por questão de segurança, não foi informado qual será. O inquérito será encaminhado ao MPE.

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